Encontro reuniu lideranças sindicais e representantes de entidades nacionais, que destacaram a defesa dos direitos, a renovação da CCT e a importância da mobilização da categoria diante dos desafios do mundo do trabalho.
Na noite desta sexta-feira (19), representantes de bancárias e bancários de todo o país, participaram da abertura da 28ª Conferência Nacional dos Bancários, realizada no Hotel Holiday Inn Parque Anhembi, em São Paulo. O encontro tem como objetivo a construção da Campanha Nacional 2026.
A abertura do evento contou com a leitura do Manifesto de Tolerância Zero à Violência e ao Assédio. Nas saudações iniciais, lideranças destacaram os desafios da Campanha Nacional dos Bancários e a importância da defesa da democracia. Representando a Federação dos Empregados em Estabelecimentos Bancários dos Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul (Feeb SP/MS) na mesa de abertura, a vice-presidente Ana Stela Alves de Lima enfatizou a necessidade de a categoria se organizar diante das transformações provocadas pelo avanço da tecnologia e pelas mudanças nas relações de trabalho.

“Não podemos permitir que apenas os empresários e banqueiros se apropriem dos ganhos proporcionados pela inovação tecnológica. A inteligência artificial e os avanços da tecnologia precisam beneficiar toda a sociedade e, principalmente, os trabalhadores. Essa é uma discussão que precisa estar nas ruas e fazer parte da agenda do movimento sindical em todo o país”, afirmou Ana Stela Alves de Lima.
A vice-presidente da Feeb SP/MS também destacou a importância do cenário político para a defesa dos interesses da classe trabalhadora. “Temos o desafio de reeleger o presidente Lula e, mais do que isso, renovar a composição do Congresso Nacional, fortalecendo a representação comprometida com os trabalhadores e com a democracia”, completou.
Para a presidenta da Contraf-CUT e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira, a categoria terá grandes desafios pela frente em 2026. “Temos uma luta corporativa, que é renovar nossa Convenção Coletiva de Trabalho e os acordos específicos. Os bancários querem aumento real, querem uma PLR maior. Esse é o nosso papel e vamos travar essa luta. Mas podemos fazer o melhor acordo coletivo do país, com 85% das cláusulas acima da lei. Se não discutirmos o Brasil e não reelegermos o presidente Lula, se elegermos um presidente fascista, nossas conquistas estarão em risco”, afirmou.

“Então, temos duas grandes tarefas neste ano. E a principal é impedir que o Brasil retroceda. Por isso, o lema desta conferência é ‘Pelos bancários e pelo Brasil’. Não lutar pelo Brasil é não lutar pelos bancários”, completou.
Liderança política
O deputado estadual Luiz Claudio Marcolino (PT-SP) marcou presença no evento e destacou um projeto apresentado por ele na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) que garante que todos os municípios paulistas contem com pelo menos uma unidade bancária. “Cidades com pelo menos 10 mil habitantes precisam ter, no mínimo, um posto de atendimento bancário. E os bancos que fecharam unidades nesses municípios terão que reabrir as agências”, afirmou.
Marcolino também ressaltou a importância dos bancos públicos. “A Caixa e o Banco do Brasil têm recursos que podem ser investidos em todos os municípios. E estamos dialogando com os prefeitos sobre a necessidade de defendermos os bancos públicos”, disse.

Outros temas destacaram a abertura do evento como ampliar o combate ao feminicídio e fortalecer as mobilizações em defesa dos direitos da classe trabalhadora. A campanha pelo fim da escala 6×1 sem redução salarial e a importância da defesa da NR-1 diante do aumento dos casos de adoecimento mental, também ganharam força.
Representando as correntes políticas do movimento sindical bancário, as intervenções convergiram para a defesa da unidade e da mobilização em torno da renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).
Programação
Ao longo do evento, delegados e delegadas de todo o país debateram e aprovaram as prioridades que orientarão a Campanha Nacional 2026, em um contexto marcado pela defesa da Convenção Coletiva de Trabalho, da saúde dos trabalhadores e do fortalecimento da organização sindical.
A programação também contou com uma análise da conjuntura internacional e dos desafios para o desenvolvimento brasileiro, apresentada pelo economista José Kobori. Em sua exposição, o especialista abordou as transformações na economia mundial, a ascensão da China como potência econômica e tecnológica e os impactos da disputa global por inovação, inteligência artificial e soberania digital.

Kobori destacou ainda os desafios do Brasil para retomar uma trajetória de desenvolvimento, apontando a necessidade de fortalecer investimentos em indústria, ciência, tecnologia e educação. O economista também ressaltou a importância de instrumentos como o Pix para a soberania nacional e avaliou que o mundo passa por uma transição para uma ordem econômica cada vez mais multipolar.
Consulta Nacional dos Bancários
Outro momento da Conferência foi a apresentação dos resultados da Consulta Nacional dos Bancários. Reginaldo Breda, secretário-geral da Feeb SP/MS, integrou a mesa responsável pela divulgação dos dados do levantamento.
A economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Vivian Machado, apresentou os resultados da pesquisa, que contou com quase 55 mil respostas e reforça centralidade de aumento real, PLR, emprego, saúde, combate às metas abusivas e proteção diante das mudanças tecnológicas. A consulta foi realizada entre 17 de abril e 31 de maio.

Os resultados apontaram como principais prioridades da categoria a conquista de aumento real dos salários, a manutenção dos direitos, a defesa do emprego e dos planos de saúde, além do combate ao assédio moral. A pesquisa também evidenciou a preocupação com a saúde mental dos trabalhadores, que aparece entre os temas centrais para a Campanha Nacional 2026.
O resultado representa um crescimento expressivo da participação da categoria. Em comparação com 2025, quando foram registradas 33.482 respostas, o aumento foi de 64%. Em relação a 2024, quando a consulta recebeu 46.824 participações, a alta foi de 17%.
“A Feeb SP/MS atingiu 92% da meta estipulada para a consulta, o que reflete a seriedade do trabalho realizado pelos nossos dirigentes nas bases sindicais. Todas as federações foram bem-sucedidas nesse processo de escuta da categoria e fizeram um grande trabalho de pesquisa. Com isso, teremos condições de construir uma boa campanha salarial e uma forte campanha de mobilização dos bancários”, afirmou Reginaldo Breda.

“A participação de quase 55 mil bancários e bancárias mostra que a categoria compreende a importância de apontar diretamente suas prioridades. A consulta oferece uma base concreta para a construção da pauta de reivindicações, fortalece a representação sindical e permite que a negociação coletiva parta da realidade vivida nos locais de trabalho”, afirmou Vivian Machado.
Segundo os dados apresentados, 66% dos respondentes trabalham em agências e 32% em departamentos. Por instituição financeira, a maior participação veio do Banco do Brasil (24,3%), seguido pela Caixa Econômica Federal (21,4%), Itaú-Unibanco (18,4%), Bradesco (16,3%), Santander (6,7%), Banrisul (2,8%), Banco do Nordeste (1,6%) e outros bancos (8,6%).
Conjuntura do Sistema Financeiro Nacional
A conjuntura do Sistema Financeiro Nacional e os impactos das transformações no emprego do ramo financeiro também estiveram entre os temas debatidos no segundo dia da conferência. O assunto foi apresentado pelo doutor em Economia Social e do Trabalho e mestre em História Econômica pela Unicamp, Gustavo Cavarzan, e pela mestre em Economia Política pela PUC-SP, Rosângela Vieira, ambos técnicos do Dieese.

O painel destacou o contraste entre os lucros recordes registrados pelo sistema financeiro e o elevado endividamento das famílias brasileiras, além dos efeitos da transformação digital sobre o setor bancário. Os especialistas alertaram para o fechamento de agências, a redução de postos tradicionais de trabalho, o avanço da inteligência artificial e os desafios relacionados à qualificação profissional, à saúde dos trabalhadores e à ampliação da participação das mulheres nas novas funções ligadas à tecnologia.
Aprovação da Minuta
Mais de 630 delegados e delegadas (372 homens e 261 mulheres) e 140 convidados, representantes da categoria bancária, de norte a sul do país, aprovaram, neste domingo (21), a pauta de reivindicações da Campanha Nacional Unificada.
A votação foi o último ato de uma série de atividades realizadas durante os três dias da 28ª Conferência Nacional dos Bancários, na capital paulista, com base em debates construídos ao longo de meses em conferências estaduais, regionais, congressos por bancos e na Consulta Nacional dos Bancários que, neste ano, bateu recorde com a participação de 54.952 respondentes de todo o país.
A seguir, os principais eixos da pauta de reivindicações, que será entregue dia 24 de junho pelo Comando Nacional dos Bancários à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban):
– 5% de aumento real no salário e nas demais verbas, como PLA, VA e VR;
– Fim das metas abusivas;
– Manutenção do formato atual da PLR (percentual do salário mais parcela fixa e adicional);
– Manutenção dos direitos conquistados;
– Manutenção da mesa única, da CCT pra toda a categoria e dos direitos já conquistados;
– Defesa do emprego bancário;
– Defesa dos bancos públicos;
– Distribuição melhor dos ganhos da tecnologia, e pelo fim do monitoramento excessivo no teletrabalho, preservando a privacidade do bancário.
Os delegados e delegadas também aprovaram neste domingo (21) os seguintes eixos de luta política para o próximo período:
– Por um sistema financeiro mais regulado;
– Importância das eleições de 2026 e de apoio a candidaturas comprometidas com a classe trabalhadora, para a Presidência da República, governos estaduais e do Distrito Federal e, com especial atenção, para Câmara dos Deputados e Senado;
– Organização do movimento: autorregulação e comunicação;
– Segurança tecnológica para os clientes.
As moções aprovadas foram:
– Em defesa da dignidade, da saúde e pela valorização das trabalhadoras e trabalhadores aposentados e idosos no setor bancário;
– Por uma dupla missão para o Banco Central do Brasil – Estabilidade de preços e proteção de emprego;
– De repúdio às práticas antissindicais, à precarização do trabalho e ao desmonte do atendimento pelo banco Santander;
– Manifesto de solidariedade ao povo bolivariano e à Cuba. Lutar contra o imperialismo.
E as resoluções:
– Contras os ataques à democracia e soberania nacional, e pela reeleição do presidente Lula;
– Contra a PEC 65/2023, independência do Banco Central, e que afasta a instituição do controle democrático, priorizando os interesses do setor financeiro em detrimento do desenvolvimento social. A resolução inclui ainda posicionamento contra a porta-giratória no Banco Central e pela redução dos juros bancários.
Fonte: Feeb SP/MS

