Fenaban ameaça retirar cláusulas de saúde e se recusa a discutir os altos índices de adoecimento na categoria bancária; Comando Nacional reforça defesa da mesa única.
Ameaças à manutenção da mesa única, às cláusulas de saúde e recusa em discutir saídas para o endividamento da categoria. Esse foi o resumo da postura da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) nesta terça-feira (21), durante a quarta rodada de negociações da Campanha Nacional das Bancárias e dos Bancários.

Durante a reunião, a representação dos trabalhadores criticou a postura da Fenaban, afirmando que não houve avanço nas negociações e que a entidade patronal propôs discutir a separação das negociações entre bancos públicos e privados. Para o Comando Nacional dos Bancários, a manutenção da mesa única é fundamental para garantir a unidade da categoria e a preservação dos direitos de todos os bancários. A representação também ressaltou que esse modelo foi decisivo para proteger os trabalhadores durante períodos de reformas trabalhistas e de ataques aos direitos, lembrando que, antes da criação da mesa única, os empregados de bancos públicos negociavam separadamente e enfrentaram anos de reajustes salariais reduzidos e perdas de direitos.
A posição de separar a mesa única foi proposta pelo negociador da Fenaban, Adauto Duarte, que foi questionado, inclusive, pelos representantes dos bancos públicos que estavam na mesa.
Endividamento da categoria
Na mesa desta terça-feira (22), a Fenaban também trouxe a devolutiva sobre um programa de juros baixos para os bancários saírem das dívidas, proposto pelo Comando Nacional na mesa anterior.
Outro ponto debatido na reunião foi o combate ao endividamento dos bancários. A representação dos trabalhadores voltou a defender a redução das taxas de juros praticadas nas linhas de crédito destinadas aos empregados, mas a Fenaban rejeitou o pleito, apresentando dados considerados insuficientes pelo movimento sindical. Segundo a representação dos trabalhadores, os bancos possuem condições de adotar, para toda a categoria, as menores taxas já praticadas entre as principais instituições financeiras.
As entidades sindicais também reforçaram que o endividamento está diretamente relacionado à saúde dos trabalhadores, já que a pressão financeira intensifica o estresse e agrava os impactos físicos e emocionais provocados pelo ambiente de trabalho.
A única alternativa apresentada pela Fenaban foi a possibilidade de encerrar rapidamente a Campanha Nacional para antecipar o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR). A representação dos trabalhadores, no entanto, ressaltou que o avanço das negociações depende da apresentação de uma proposta que contemple as reivindicações da categoria.
“O combate ao endividamento precisa ser tratado como uma questão de saúde do trabalhador. Não basta antecipar a PLR; é necessário discutir medidas permanentes, como condições de crédito mais justas e políticas que reduzam o peso das dívidas no orçamento dos bancários. A Feeb SP/MS seguirá defendendo soluções concretas nas próximas rodadas de negociação.”, afirmou Reginaldo Breda, secretário-geral da Feeb SP/MS, que representou a Federação na mesa de negociação.
Saúde e condições de trabalho
Sobre a pauta da saúde, o movimento sindical destacou que, em 2024, a categoria bancária representou 25% do total de afastamentos acidentários por doença mental pelo INSS. Os transtornos mentais são, inclusive, responsáveis por mais da metade dos afastamentos na categoria, conforme o quadro abaixo.
Durante a negociação, a representação dos trabalhadores também apresentou dados da Consulta Nacional dos Bancários 2026 para reforçar a preocupação com a saúde da categoria. O levantamento, que ouviu quase 55 mil bancários em todo o país, aponta um cenário que, segundo as entidades sindicais, é compatível com os indicadores de afastamentos registrados pelo INSS, reforçando a necessidade de medidas voltadas à prevenção do adoecimento e à melhoria das condições de trabalho.
“Os dados da Consulta Nacional confirmam uma realidade que os sindicatos acompanham diariamente nas bases: o adoecimento dos bancários continua sendo uma das principais preocupações da categoria. É fundamental que os bancos reconheçam esse cenário e avancem em medidas efetivas para reduzir a sobrecarga, melhorar as condições de trabalho e promover a saúde dos trabalhadores.”, destacou Breda.
No levantamento, realizado entre abril e maio deste ano, 40% afirmaram terem utilizado medicamentos controlados (antidepressivos, ansiolíticos ou estimulantes) no último ano.
Na pergunta “quais impactos a cobrança excessiva pelo cumprimento de metas causam à sua saúde?”, com possibilidade de múltipla escolha, as principais respostas foram:
– 67% afirmaram preocupação constante com o trabalho;
– 59%, que os impactos são cansaço e fadiga constante;
– 47% apontaram desmotivação, vontade de não ir trabalhar;
– 42% sofrem com crises de ansiedade/pânico;
– 39%, que estão com dificuldades em dormir, mesmo aos finais de semana; e
– 24%, com medo de “estourar” e perder a cabeça.
Diante desse cenário, a representação dos trabalhadores voltou a defender a implementação da NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1), com o mapeamento dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho e maior acesso a informações sobre a saúde da categoria.
A seguir, o resumo das reivindicações da categoria relacionadas à saúde:
1 – Fim das metas abusivas.
2 – Combate ao assédio moral, organizacional e algorítmico.
3 – Limites à vigilância digital e ao controle por algoritmos.
4 – Serviços médicos que acolham os trabalhadores adoecidos.
5 – Nenhuma perda de remuneração durante o adoecimento.
6 – Prevenção de riscos psicossociais — implementação da NR-1 e da NR-17.
A representação dos trabalhadores também defendeu que o adoecimento da categoria deve ser analisado a partir da organização do trabalho, destacando que estudos acadêmicos e órgãos nacionais e internacionais reconhecem a relação entre metas abusivas e o agravamento da saúde física e mental dos trabalhadores. Para as entidades sindicais, esse cenário reforça que a responsabilidade pelo adoecimento não pode ser atribuída exclusivamente ao indivíduo, mas também às condições de trabalho impostas pelas instituições financeiras.
Ao final da reunião, as entidades sindicais avaliaram que a Fenaban interrompeu o avanço das discussões ao questionar pontos já consolidados na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), inclusive cláusulas relacionadas à saúde dos bancários. A representação dos trabalhadores reafirmou que o tema continuará sendo tratado como prioridade nas próximas rodadas de negociação e defendeu a manutenção da mesa única como espaço de construção das cláusulas nacionais.
Após mais um pedido de intervalo, a Fenaban concordou em continuar a negociação de saúde na próxima mesa, agendada para o dia 30 de julho.
Dia Nacional de luta e mobilização
O Comando Nacional das Bancárias e dos Bancários aprovou a realização de um Dia Nacional de Luta e Mobilização, em 28 de julho, para reforçar as reivindicações da campanha nas bases de todo o país.
Fonte: Feeb SP/MS

