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Caixa não apresenta nova proposta para o Saúde Caixa

Banco diz que reformula proposta após insatisfação dos empregados; CEE cobra 70/30, maior participação da Caixa no custeio e fim do teto de 6,5%

A Caixa não apresentou uma nova proposta para o Saúde Caixa na rodada de negociações com a Comissão Executiva dos Empregados (CEE) do banco, realizada na noite desta terça-feira (25), em São Paulo. O banco reconheceu a forte insatisfação das empregadas e empregados com as duas propostas apresentadas anteriormente e afirmou que decidiu aprofundar os estudos antes de levar um novo modelo à mesa.

Representantes da Caixa disseram que acompanharam as reações às propostas apresentadas anteriormente. Segundo o banco, o objetivo agora é construir uma proposta que tenha maior possibilidade de ser acolhida pelos empregados e que, ao mesmo tempo, seja sustentável para o Saúde Caixa e para a própria Caixa.

A CEE ressaltou que havia grande expectativa pela apresentação de uma nova proposta nesta terça-feira, uma vez que o próprio banco havia sinalizado anteriormente que voltaria à mesa com uma alternativa para o plano. A representação dos empregados cobrou que a proposta seja apresentada o quanto antes.

“Os empregados estavam aguardando essa proposta porque foi isso que havia sido sinalizado pela Caixa. Entendemos que o banco queira amadurecer uma alternativa, mas precisamos avançar rapidamente. E, para nós, não basta mudar a forma de cobrança: a Caixa precisa colocar mais recursos no plano, e não trazer propostas que jogam a responsabilidade pelos aumentos dos custos sobre os empregados”, afirmou a coordenadora da CEE/Caixa, Luiza Hansen.

A representação dos empregados reiterou a reivindicação de que a Caixa volte a responder por 70% das despesas do Saúde Caixa, ficando os 30% restantes sob responsabilidade dos beneficiários. Também voltou a defender a retirada do teto de 6,5% da folha de pagamento e proventos que limita a participação financeira do banco.
A forte mobilização dos empregados também foi lembrada no início da negociação. A paralisação do dia 20 teve grande adesão na Caixa e, segundo os representantes sindicais, demonstrou a insatisfação com as propostas para o Saúde Caixa e também com questões relacionadas às condições de trabalho.

Saúde Integral

Mesmo sem apresentar uma nova proposta para o Saúde Caixa, o banco levou à mesa avanços relacionados à política de Saúde Integral. A proposta busca ampliar o foco preventivo e o acompanhamento multidisciplinar, considerando não apenas a saúde física, mas também aspectos emocionais, mentais e sociais dos empregados.

Entre as frentes apresentadas estão linhas de cuidado voltadas à saúde cardiometabólica, hábitos de vida, saúde mental e problemas osteomusculares, além da ampliação de ações de prevenção cardiovascular e de acompanhamento de dependências, incluindo tabagismo, dependência química e problemas relacionados a jogos.

A Caixa informou que pretende custear os novos programas, como já ocorre em iniciativas como Saúde da Mulher e Saúde do Homem. A operacionalização ainda está sendo detalhada, e a expectativa do banco é que as novas medidas entrem em vigor a partir de janeiro, caso sejam incorporadas ao acordo.

A representação dos empregados avaliou positivamente a ampliação das iniciativas preventivas, mas ressaltou que uma política efetiva de Saúde Integral precisa enfrentar também as causas do adoecimento relacionadas à organização e às condições de trabalho.

“Não podemos falar de Saúde Integral sem enfrentar aquilo que adoece os trabalhadores dentro do próprio ambiente de trabalho. Precisamos de um programa que também responda aos modelos de gestão adoecedores e aos riscos psicossociais. E os trabalhadores precisam participar da construção dessas políticas, não apenas serem chamados depois que elas estiverem prontas”, afirmou o representante da Fetraf-RJ/ES, Ronan Teixeira.

Durante o debate, os representantes dos empregados relacionaram a proposta às novas obrigações de prevenção e gerenciamento dos riscos psicossociais no trabalho e ressaltaram que questões como pressão excessiva, formas de cobrança de resultados, sobrecarga e outras práticas organizacionais precisam fazer parte da política de prevenção.

A CEE também destacou que investir em prevenção pode produzir efeitos positivos tanto para a saúde dos empregados quanto para a sustentabilidade do Saúde Caixa.

“Esses programas são importantes para evitar que as pessoas adoeçam ou tenham seu quadro agravado. Isso é fundamental para cada empregado e também para o conjunto dos usuários, porque prevenção e acompanhamento adequado podem reduzir gastos futuros do Saúde Caixa. Por isso defendemos que esses programas sejam efetivamente custeados pela Caixa”, disse Luiza.

Outro ponto levantado foi a transparência sobre o financiamento dos novos programas. Os representantes dos empregados cobraram que fique claro que as despesas das iniciativas de Saúde Integral serão arcadas pela Caixa, sem serem transferidas para o plano e, consequentemente, para os beneficiários.

“Precisamos saber exatamente como cada programa vai funcionar e quem vai pagar a conta. Se a Caixa está assumindo o custeio dessas ações, isso precisa aparecer de maneira transparente e ser acompanhado, para que os empregados tenham segurança de que os valores não serão lançados como despesas do Saúde Caixa”, afirmou a representante da Fetrafi-NE, Cândida Fernandes, a Chay.

A representação sindical voltou ainda a cobrar medidas mais efetivas para enfrentar o endividamento dos empregados, inclusive condições de crédito mais vantajosas para o quadro próprio. A Caixa informou que já possui iniciativas de educação e acompanhamento financeiro e que analisará as reivindicações apresentadas.

Diversidade, equidade e inclusão

A negociação também avançou na discussão sobre diversidade, equidade e inclusão. A Caixa apresentou propostas para ampliar a cláusula do acordo coletivo que trata do tema, com atualização permanente das diretrizes internas, realização periódica do Censo da Diversidade, enfrentamento aos vieses inconscientes, fortalecimento dos coletivos de diversidade e medidas relacionadas à equidade de gênero, raça e acessibilidade.

O banco propôs ainda capacitações recorrentes sobre vieses inconscientes, principalmente para integrantes da alta gestão e participantes das bancas de seleção. A avaliação apresentada na mesa foi de que esses vieses podem influenciar processos de promoção e sucessão mesmo quando as decisões são percebidas como objetivas.

A representação dos empregados defendeu que os compromissos sejam transformados em mecanismos mais sólidos e permanentes no acordo coletivo, com impacto concreto nos processos internos.

“A gente precisa sair de compromissos genéricos e construir algo mais robusto, que deixe claro para os empregados que existe uma política efetiva para mudar uma realidade de desigualdade que também se reproduz dentro da Caixa. Um dos pontos que ainda precisamos enfrentar é a diversidade nas equipes e bancas responsáveis pelos processos de seleção”, afirmou Chay.

A CEE apresentou à Caixa uma proposta própria de redação para a cláusula. Após uma pausa para análise, o banco informou que o texto apresentado pelos empregados converge com a linha que vinha sendo construída pela empresa. Ficou acertado que os ajustes necessários serão trabalhados entre as assessorias jurídicas da Caixa e da Contraf-CUT/CEE para a construção da redação final.

Enquadramento como PCD

A Caixa apresentou ainda uma proposta para reformular o processo de reconhecimento e enquadramento dos empregados como pessoas com deficiência (PCDs), inclusive com Transtorno de Espectro Autista (TEA).

O objetivo é estabelecer um fluxo mais simples, padronizado e transparente, com orientação prévia ao empregado sobre os documentos necessários, análise pela Medicina do Trabalho e avaliação técnica. Quando necessário, poderá haver avaliação biopsicossocial e multiprofissional. O processo também deverá identificar necessidades como tecnologia assistiva, adaptação do posto de trabalho e outros recursos indispensáveis ao empregado.

A representação dos empregados avaliou que a simplificação do procedimento representa avanço, mas cobrou aperfeiçoamentos, principalmente para evitar subjetividade no enquadramento das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Também foram reiteradas as reivindicações de prioridade no teletrabalho para PCDs e de redução de jornada para esse público.

“Um dos problemas que sempre apontamos é a dificuldade que o empregado encontra para saber qual é o caminho, quais documentos precisa apresentar e quando terá uma resposta. A proposta de simplificação e padronização pode ser um avanço, mas precisamos garantir que esse fluxo funcione de fato. A própria Caixa informou que ele ainda não está implantado e que entraria em funcionamento caso haja aprovação do acordo. Vamos acompanhar para que isso aconteça efetivamente”, afirmou o representante da Federa-RJ, Rogério Campanate.

Os representantes dos empregados também cobraram maior agilidade nas adaptações dos locais e postos de trabalho. Foram relatados casos em que empregados precisaram aguardar intervenções de infraestrutura, como instalação de rampas ou outras adaptações, e situações em que o teletrabalho se tornou necessário pela inexistência de uma unidade fisicamente acessível. Também foi ressaltada a responsabilidade da Caixa pelo fornecimento de mobiliário e equipamentos específicos quando necessários.

A Caixa informou que existe convergência sobre a necessidade de avançar no enquadramento e considerou a proposta apresentada uma etapa importante da negociação, enquanto outras reivindicações relacionadas aos PCDs permanecem em análise.

Ausências permitidas

O banco também apresentou propostas relacionadas às ausências permitidas aos empregados.

Entre as propostas apresentadas estão:
•    retirada do limite de 18 anos para utilização das horas destinadas ao acompanhamento de filho ou enteado em consulta médica;
•    criação da chamada “Ausência Fique Bem”, permitindo que as horas hoje utilizadas para acompanhamento de dependentes possam ser usadas pelo próprio empregado para consultas e cuidados com a saúde;
•    possibilidade de utilização de determinadas licenças, como casamento e paternidade, em até 180 dias após o fato gerador;
•    até três dias por ano para realização de exames preventivos de câncer e HPV;
•    até dez dias anuais para empregados de alto rendimento convocados para representar o Brasil em competições esportivas ou paradesportivas oficiais, com previsão de implementação em janeiro de 2027.

Durante a discussão sobre acompanhamento médico, a representante da Fetec-CUT/PR, Samanta Almeida, ressaltou a necessidade de contemplar também o cuidado com os pais, diante do envelhecimento da população e do número crescente de empregados responsáveis pelo acompanhamento de familiares idosos.

“Temos cada vez mais colegas que, além dos filhos, cuidam dos pais. É importante que as regras de ausência acompanhem essa realidade das famílias e garantam condições para que o empregado possa prestar esse cuidado quando necessário”, afirmou Samanta. A Caixa informou que o acompanhamento de pai e mãe já está previsto na cláusula vigente e que a alteração apresentada busca retirar especificamente o limite etário atualmente aplicado a filhos e enteados.

“A proposta traz um grande avanço na questão das horas, que poderão ser utilizadas para o próprio empregado. Isso vai evitar problemas com compensação de horas, quando a pessoa precisa fazer exames ou ir numa consulta”, disse Samanta.

A representação dos empregados avaliou positivamente a chamada “Ausência Fique Bem”, por permitir que o trabalhador utilize o período para cuidar da própria saúde sem ter de compensar as horas de uma consulta que não resulte em afastamento médico.

Negociações continuam nesta quarta-feira

As negociações específicas entre a CEE/Caixa e o banco continuam nesta quarta-feira (26), em São Paulo, após a rodada da mesa única da Campanha Nacional dos Bancários entre o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).

A CEE seguirá cobrando respostas às reivindicações da pauta específica e, principalmente, a apresentação de uma proposta para o Saúde Caixa que assegure a sustentabilidade e a qualidade do plano sem ampliar o peso de seu custeio sobre as empregadas e empregados.

“Temos avanços em alguns temas e eles precisam ser reconhecidos, mas o Saúde Caixa continua sendo uma questão central desta negociação. A mobilização do dia 20 mostrou o tamanho da expectativa da categoria. Queremos concluir a campanha com um acordo que preserve o plano, seus princípios de solidariedade e o pacto intergeracional e que aumente a responsabilidade da Caixa no seu financiamento”, concluiu Luiza.

Para acompanhar todos os desdobramentos da Campanha Nacional dos Bancários 2026 e das negociações com a Caixa, acompanhe o site e as redes sociais da Contraf-CUT e dos sindicatos filiados em todo o país.

https://contrafcut.com.br/noticias/caixa-nao-apresenta-nova-proposta-para-o-saude-caixa

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Fenaban apresenta duas propostas abaixo da inflação; bancários rejeitam e cobram aumento real

Índices de 2,06% e 2,57% representam perdas reais de 1,99% e 1,50%; rodada termina sem acordo e negociação será retomada nesta quarta-feira (26).

Após dez rodadas de negociação na Campanha Nacional dos Bancários 2026, a Fenaban apresentou, nesta terça-feira (25), as primeiras propostas de reajuste para a categoria. Os dois índices colocados na mesa, inicialmente 2,06% e, posteriormente, 2,57%, foram rejeitados pelas representações dos trabalhadores por ficarem abaixo da inflação e representarem perda real nos salários.

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A Federação dos Empregados em Estabelecimentos Bancários dos Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul (Feeb SP/MS) participou das duas mesas de negociação. No Comando Nacional dos Bancários, a Federação foi representada pelo secretário-geral, Reginaldo Breda. Na mesa da CONTEC, pelo presidente da Feeb SP/MS e secretário-geral da Confederação, David Zaia.

Primeira proposta prevê reajuste de 2,06%

No primeiro momento da negociação, a Fenaban apresentou reajuste de 2,06% sobre salários e demais verbas, equivalente a 50% da inflação e representando perda real de 1,99%.

A proposta também previa o congelamento da PLR e do piso de ingresso, além da exclusão da verba de requalificação profissional, da gratificação de compensador de cheque e da ajuda de deslocamento noturno. Os bancos propuseram ainda o fim da indenização por morte ou incapacidade decorrente de assalto e do auxílio-funeral, além da retirada da multa em caso de descumprimento da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).

A proposta foi rechaçada pelas representações dos trabalhadores e a negociação entrou em pausa.

Para Reginaldo Breda, o índice apresentado não condiz com os resultados do setor nem com as reivindicações construídas pela categoria.

“Depois de dez rodadas de negociação, a categoria espera uma proposta que reconheça efetivamente o trabalho dos bancários e bancárias. Não podemos aceitar um índice que represente perda real e, ao mesmo tempo, venha acompanhado da retirada de direitos. Os bancos precisam avançar e apresentar uma proposta que dialogue com aquilo que os trabalhadores reivindicam”, afirma Breda.

Fenaban aumenta índice para 2,57%, mas proposta continua abaixo da inflação

Na retomada da mesa, a Fenaban apresentou uma segunda proposta, elevando o reajuste para 2,57% sobre os salários, equivalente a 62% da inflação. Apesar da alteração, o percentual ainda representa perda real de 1,50% e foi novamente rejeitado.

A segunda proposta manteve o congelamento da PLR e do piso de ingresso e a exclusão da gratificação de compensador de cheque e da ajuda de deslocamento noturno.

Para o auxílio-creche/babá, auxílio destinado a pais com filhos com deficiência e ajuda de custo para o teletrabalho, a Fenaban propôs reajuste de 2,57%.

Após a pressão das representações dos trabalhadores, os bancos recuaram em dois pontos apresentados inicialmente: a verba destinada à requalificação profissional foi mantida, com reajuste de 2,57%, assim como a multa prevista em caso de descumprimento da CCT.

Ainda assim, a avaliação das representações sindicais foi de que a proposta permanece muito distante das reivindicações da categoria, que tem como uma das principais prioridades o reajuste com aumento real.

Índice estaria entre os piores reajustes de 2026

Os dados apresentados durante as negociações reforçam a distância entre a proposta dos bancos e os acordos salariais firmados por outras categorias.

O reajuste de 2,57% proposto pela Fenaban estaria entre os 0,46% piores reajustes negociados em 2026. Isso significa que 99,54% das negociações salariais realizadas até agora garantiram índices superiores ao oferecido aos bancários.

A proposta também chama atenção diante dos resultados do setor financeiro. Segundo dados apresentados na negociação, o índice teria impacto equivalente a apenas 0,9% do lucro do setor bancário, que alcançou R$ 182 bilhões em 2025.

Para David Zaia, os resultados demonstram que os bancos têm condições de atender às reivindicações apresentadas pelos trabalhadores.

“Os bancos têm resultados que permitem atender às reivindicações da categoria. Não há justificativa para apresentar, depois de dez rodadas, índices que sequer repõem a inflação. Queremos reposição integral, aumento real e valorização dos direitos. A negociação continua e a mobilização dos bancários e bancárias será fundamental para avançarmos”, destaca Zaia.

A categoria reivindica, além da reposição integral da inflação e aumento real, valorização dos pisos salariais, do vale-alimentação (VA), vale-refeição (VR) e da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), além da manutenção e ampliação dos direitos previstos na Convenção Coletiva.

Requalificação e proteção ao emprego

A rodada desta terça-feira também avançou na discussão sobre emprego. Diante do elevado número de desligamentos no setor bancário, as representações dos trabalhadores defendem medidas que ampliem a proteção aos empregados e deem suporte aos profissionais desligados.

Entre janeiro de 2025 e julho de 2026, o setor bancário registrou mais de 37,5 mil desligamentos.

A pressão dos trabalhadores resultou no início da construção conjunta de uma proposta voltada à requalificação e recolocação no mercado de trabalho dos bancários desligados, tema que continuará sendo acompanhado nas negociações.

Negociação será retomada nesta quarta-feira

A rodada desta terça-feira terminou sem acordo. As negociações com a Fenaban serão retomadas nesta quarta-feira (26), com a expectativa de apresentação de uma proposta que avance nos índices econômicos e atenda às principais reivindicações dos trabalhadores.

A orientação é para que a categoria permaneça mobilizada e acompanhe os canais oficiais da Federação e dos sindicatos.

#QueremosPropostaDecente

Fonte: Feeb SP/MS

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Fenaban recua após pressão da categoria e retira propostas de reajuste escalonado e congelamento do piso

Mobilização dos bancários leva bancos a abandonar medidas que dividiam a categoria; negociações continuam na próxima semana em busca de avanços no reajuste, piso, PLR e demais reivindicações.

A pressão e a mobilização dos bancários produziram um importante recuo da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) nesta terça-feira (18). Durante nova rodada da Campanha Nacional 2026, realizada em São Paulo, os bancos retiraram da mesa a proposta de reajuste salarial escalonado por faixas e o congelamento do piso da categoria.

A Feeb SP/MS participou das duas mesas de negociação realizadas nesta terça-feira. Na mesa do Comando Nacional dos Bancários, a Federação esteve representada pela vice-presidente, Ana Stela Alves de Lima, e pelo secretário-geral, Reginaldo Breda. Na negociação da CONTEC, participou David Zaia, presidente da Feeb SP/MS e secretário-geral da Confederação.

Foto: Contraf CUT

As propostas retiradas haviam sido duramente rejeitadas pelo movimento sindical desde que foram apresentadas. O modelo defendido anteriormente pela Fenaban previa percentuais diferentes de reajuste conforme a faixa salarial, dividindo os trabalhadores em grupos distintos, além de não prever correção para o piso de ingresso.

Para Ana Stela, o recuo demonstra que a unidade da categoria foi fundamental para barrar uma proposta que representava retrocesso nas negociações.

“Era uma proposta que dividia a categoria e isso é inaceitável. Não aceitaríamos, de modo algum, um acordo que estabelecesse tratamento diferente entre os bancários ou deixasse justamente quem está no piso sem reajuste. A mobilização mostrou aos bancos que a categoria está unida e não vai admitir retirada de direitos”, afirma.

Mobilização pressiona bancos

A mudança de posição da Fenaban ocorre após a forte participação dos bancários nas assembleias realizadas nesta segunda-feira (17) e a aprovação da paralisação nacional de 24 horas prevista para quinta-feira (20).

Apesar da retirada do escalonamento e do congelamento do piso, a Fenaban não apresentou nesta terça-feira um novo índice para o reajuste salarial. As negociações econômicas terão continuidade na próxima semana.

Segundo Reginaldo Breda, o recuo é resultado direto da resposta dada pela categoria às propostas apresentadas pelos bancos.

“Quando os trabalhadores participam das assembleias, se mobilizam e demonstram disposição para lutar, isso se reflete na mesa de negociação. A retirada dessas propostas é importante, mas ainda precisamos avançar no que é central para a categoria: reajuste com aumento real, valorização dos pisos, dos vales, da PLR e uma Convenção Coletiva que preserve e amplie direitos”, destaca.

A categoria reivindica reposição integral da inflação medida pelo INPC, acrescida de 5% de aumento real, além da valorização do piso salarial, dos vales alimentação e refeição e da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), entre outros pontos da pauta econômica e social.

Negociação continua

A próxima rodada, inicialmente prevista para terça-feira (25), foi antecipada para segunda-feira (24), com possibilidade de continuidade das negociações ao longo dos dias seguintes. A expectativa do movimento sindical é de que a Fenaban apresente uma proposta econômica concreta para os principais pontos ainda pendentes da Campanha Nacional.

Foto: Contec

David Zaia avalia que a retirada das duas propostas representa uma conquista da mobilização, mas ressalta que ainda há questões fundamentais a serem negociadas.

“Os bancos recuaram em dois pontos que eram absolutamente inaceitáveis e isso demonstra a importância da pressão da categoria. Mas a negociação não terminou. Precisamos avançar no reajuste salarial, com reposição da inflação e aumento real, na valorização do piso, dos tíquetes e da PLR, além das demais reivindicações da nossa pauta. É fundamental manter a mobilização para que a próxima rodada traga uma proposta que efetivamente atenda aos bancários”, afirma.

Dirigentes da Feeb SP/MS acompanham mesa de negociação da Campanha Nacional – Foto: Contec

Paralisação está mantida

O recuo da Fenaban não altera a mobilização prevista para esta quinta-feira (20). A paralisação nacional de 24 horas está mantida, com manifestações em todo o país para ampliar a pressão sobre os bancos e cobrar avanços efetivos nas negociações.

Para a Feeb SP/MS, a retirada do reajuste escalonado e do congelamento do piso confirma a importância da organização coletiva e da participação dos trabalhadores. A orientação é manter a mobilização até que haja uma proposta que contemple as principais reivindicações da categoria.

Confira o calendário de negociações da próxima semana:

Dia 24/08, segunda-feira, às 10h, local: Hotel Laghetto

Dia 25/08, terça-feira, às 09h, local: Hotel Laghetto

Dia 26/08, quarta-feira, às 10h, local a confirmar

Dia 27/08, quinta-feira, às 10h, local a confirmar

Dia 28/08, sexta-feira, às 10h, local: Hotel Laghetto

Fonte: Feeb SP/MS

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BB deixa reivindicações sem resposta e frustra expectativa dos funcionários

Representação dos trabalhadores critica falta de avanços nas negociações e reforça a necessidade de soluções para a Cassi, reposição do quadro de pessoal e valorização da carreira.

A rodada de negociações entre a Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB) e a direção do banco, realizada nesta quarta-feira (5/8), terminou sem avanços concretos para a categoria.

Embora os representantes dos funcionários tenham reforçado as principais reivindicações da Campanha Nacional específica, o BB não apresentou respostas efetivas para temas considerados prioritários.

“Saímos da negociação preocupados. O Banco do Brasil não respondeu às nossas reivindicações. Não houve sinalização de novos concursos e a situação dos incorporados continua sem solução, mais uma vez vinculada ao debate sobre o custeio da Cassi. A categoria esperava respostas mais objetivas“, resume a diretora do Sindicato dos Bancários de Campinas, Maria Aparecida da Silva (a Cida), representante da Feeb-SP/MS.

Fotos: Alexander Leme/SPBancários

Pautas defendidas

Entre as pautas defendidas pela CEBB estão a definição de um plano de custeio para a Cassi com maior participação do banco, melhorias no Programa de Carreira e Remuneração (PCS), revisão da gestão por metas, ampliação do acesso à Cassi e à Previ para os funcionários egressos e a realização de novos concursos públicos.

Nas devolutivas, o banco reconheceu a urgência da situação financeira da Cassi, mas informou que ainda precisa de mais tempo para construir uma solução considerada “estruturante”. Sobre os funcionários egressos, também não houve avanços. A direção do BB afirmou que segue estudando alternativas para o acesso à Cassi e que retomará, futuramente, mesas específicas para discutir propostas relacionadas à Previ.

Outro ponto que gerou preocupação foi a ausência de qualquer sinalização sobre a realização de novos concursos, uma demanda considerada fundamental pelo movimento sindical diante da sobrecarga de trabalho enfrentada pelos funcionários e da necessidade de reposição do quadro de pessoal.

Durante a reunião, a CEBB também criticou a ampliação da contratação de correspondentes bancários, prática que, além de representar terceirização de atividades, aumenta os riscos relacionados à segurança das informações dos clientes.

Na discussão sobre as cláusulas econômicas, o banco apresentou argumentos para justificar sua política de crescimento na carreira e contestou os pedidos de reajustes constantes da minuta de reivindicações.

O movimento sindical rebateu, destacando que as reivindicações foram construídas de forma democrática, a partir das demandas apresentadas pelos funcionários de todo o país, e reafirmou a necessidade de valorização da categoria por meio da revisão do PCS, do piso salarial e de melhores condições de trabalho.

A próxima rodada de negociação está marcada para 14 de agosto. A expectativa da representação dos trabalhadores é que o Banco do Brasil apresente, finalmente, propostas concretas.

Informações: Contraf CUT

Fotos: Alexander Leme/SPBancários

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Saúde Caixa: Banco apresenta proposta que chega a dobrar mensalidade

Banco quer elevar a contribuição dos titulares de 3,5% para 5,5%, dobrar o limite de comprometimento da renda de 7% para 14% e aumentar as mensalidades cobradas pelos dependentes diretos e indiretos; CEE/Caixa repudia proposta do banco para o Saúde Caixa.

A Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa repudiou e recusou a proposta apresentada pelo banco para o custeio do Saúde Caixa, nesta quarta-feira (5), durante a quinta rodada de negociações específicas da Campanha Nacional dos Bancários 2026, realizada em São Paulo.

Por unanimidade, todas as federações que compõem a mesa de negociações das empregadas e dos empregados exigiram que a Caixa refaça os cálculos e apresente uma nova proposta. O entendimento é que a proposta apresentada demonstra de forma clara que a maior preocupação do banco não é com seus empregados. E ao contrário do que divulgou na Intranet, a Caixa não trouxe uma solução para o Saúde Caixa, mas sim, uma proposta em que busca se isentar de sua responsabilidade pelo custeio do plano.

Confira a proposta da Caixa

“Modelo atual reajustado”

Batizada pelo banco de “Modelo atual reajustado”, a proposta aumenta de 3,5% para 5,5% da remuneração-base a mensalidade dos titulares. O valor cobrado por dependente direto passaria de R$ 480 para R$ 870; o dependente indireto passaria de R$480,00 para R$ 930; e a mensalidade dos filhos com idade entre 24 e 27 anos subiria de R$ 800 para R$ 1.050. O limite de comprometimento da renda familiar seria dobrado, dos atuais 7% para 14%. A cobrança continuaria sendo feita em 13 parcelas anuais.

“Nosso entendimento é que esta proposta é profundamente desrespeitosa com quem constrói o banco todos os dias. Ela não apresenta uma solução equilibrada para o Saúde Caixa. Simplesmente transfere a conta para os empregados, afirmou a coordenadora da CEE/Caixa, Luiza Hansen.

Segundo Luiza, a proposta produziria perda efetiva de remuneração, mesmo diante da reivindicação apresentada na mesa geral de negociação com os bancos de reposição da inflação acrescida de 5% de aumento real.

“Mesmo que conquistemos a inflação mais 5% de aumento real, esse reajuste do Saúde Caixa consumiria o ganho e, em muitos casos, uma parte ainda maior da renda. O resultado seria uma campanha salarial encerrada com perda de remuneração. A Caixa está dizendo que o empregado pode até receber um reajuste, mas terá de devolvê-lo (e muito mais) para continuar com o plano de saúde”, explicou.

Proposta desrespeita quem constrói os resultados

Para a representação sindical, a proposta é especialmente desrespeitosa porque a Caixa apresentou projeções de lucros crescentes para os próximos anos, mas desconsiderou que esses resultados são produzidos pelo trabalho diário de seu quadro de pessoal.

O representante da Contraf-CUT na mesa de negociações, Lívio Santos e Assis, observou que a mensalidade dos titulares teria aumento de mais de 57%, enquanto a cobrança pelos dependentes diretos subiria mais de 81%. O teto familiar seria elevado em 100%.

“É indecente que o banco proponha praticamente dobrar os valores pagos pelos usuários, mas se recuse a discutir o limite que ele próprio impôs à sua participação. A Caixa protege o seu teto e manda a conta para o empregado. Isso não é valorização do quadro de pessoal. É redução salarial e retirada de direitos”, afirmou Lívio.

Para Tesifon Quevedo Neto, representante da Feeb SP/MS na mesa da CEE/Caixa, a proposta precisa ser revista para garantir o equilíbrio financeiro do plano sem penalizar os trabalhadores.

“O Saúde Caixa é um patrimônio dos empregados e não pode ter sua sustentabilidade baseada no aumento da contribuição dos usuários. A Caixa precisa ampliar sua participação no custeio e assumir a responsabilidade de preservar um benefício essencial para milhares de trabalhadores, aposentados e pensionistas. É isso que esperamos ver na próxima proposta do banco”, afirmou Tesifon.

Como exemplo, na apresentação feita à mesa, a própria Caixa informou que 32% dos titulares estão na faixa de renda entre R$ 10 mil e R$ 15 mil. Os trabalhadores dessa faixa, sobretudo aqueles com dois ou mais dependentes, seriam duramente atingidos e poderiam deixar o Saúde Caixa, inviabilizando o plano já em médio prazo. A representação cobrou do banco um estudo sobre a quantidade de beneficiários que abandonariam o plano caso a proposta fosse implantada.

Usuários já pagam cerca de 46% do plano

Os números do Relatório de Administração do Saúde Caixa mostram que a participação dos beneficiários já está muito acima dos 30% previstos no modelo histórico de custeio 70/30.

Em 2025, a contribuição líquida da Caixa foi de aproximadamente R$ 2,02 bilhões. As mensalidades pagas pelos usuários somaram R$ 1,39 bilhão e as coparticipações chegaram a R$ 303,6 milhões. Considerados esses valores regulares, a Caixa respondeu por cerca de 54% do financiamento, enquanto empregados, aposentados e pensionistas arcaram com aproximadamente 46%.

Essa distorção ocorre porque o estatuto do banco limita a participação da empresa a 6,5% da folha de pagamentos e proventos. Com o aumento das despesas assistenciais acima dos reajustes da folha, a contribuição da Caixa deixa de acompanhar os custos do plano e uma parcela crescente das despesas é transferida aos usuários. O fim desse teto estatutário e o restabelecimento efetivo do modelo 70/30 estão entre as principais reivindicações da campanha “Põe mais dinheiro, Caixa!”, aprovada no 41º Conecef.

Déficit exige solução estrutural

O Saúde Caixa registrou déficit operacional de R$ 627,8 milhões em 2025, resultado de despesas totais de R$ 4,39 bilhões diante de receitas de R$ 3,76 bilhões. O exercício terminou contabilmente com saldo positivo de R$ 67,1 milhões somente depois da incorporação de R$ 581,1 milhões em contribuições patronais incidentes sobre ações judiciais e acordos trabalhistas de anos anteriores e da utilização de R$ 46,7 milhões da Reserva Técnica.

Para o Dieese, esses recursos extraordinários não representam melhora estrutural da situação financeira do plano. As pressões sobre os custos permanecem e decorrem do aumento da idade média dos usuários, da maior utilização dos serviços, do aumento da complexidade dos tratamentos, da incorporação de novas tecnologias e da inflação médica, que supera a inflação geral.

O custo médio anual por beneficiário subiu de R$ 9.854 em 2022 para R$ 15.824,24 em 2025, aumento acumulado de 60,6%. Somente entre 2024 e 2025, o crescimento foi de aproximadamente 23,5%. A avaliação do Dieese é que essa transformação estrutural no perfil assistencial deve ser acompanhada de uma ampliação real da participação financeira da Caixa, e não de uma transferência ainda maior dos custos aos beneficiários.

A situação continuou pressionada em 2026. Até maio, o Saúde Caixa acumulava déficit de R$ 222,2 milhões, com despesas próximas de R$ 1,8 bilhão.

Adoecimento relacionado ao trabalho

Os dados do próprio relatório também mostram um aumento expressivo da demanda por cuidados de saúde mental. Em 2025, a psicologia respondeu por 60,3% dos custos da linha de terapias. Foram realizados mais de 1,67 milhão de procedimentos, com crescimento de 48% no número de sessões.

Para a CEE, os números não podem ser analisados sem considerar as condições de trabalho na Caixa, marcadas pela redução do quadro, sobrecarga, pressão por metas e adoecimento. O Dieese ressalta que, quando a organização do trabalho contribui para o adoecimento, a empresa deve assumir sua responsabilidade tanto na prevenção quanto no financiamento dos tratamentos.

Nesse sentido, a representação sindical reivindica que a Caixa arque integralmente com os tratamentos relacionados às doenças classificadas como B91. No contexto previdenciário, o código identifica o benefício concedido quando a lesão ou a doença possui vínculo com o trabalho (o antigo auxílio-doença acidentário, atualmente denominado auxílio por incapacidade temporária decorrente de acidente de trabalho).

A reivindicação, aprovada no 41º Conecef, busca impedir que os custos de doenças provocadas ou agravadas pelas condições de trabalho sejam transferidos ao conjunto dos usuários do Saúde Caixa. A pauta também prevê a emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho, orientação aos trabalhadores afastados e cobertura dos medicamentos e tratamentos decorrentes do adoecimento ocupacional.

“É inaceitável que o empregado seja submetido a metas, pressão e sobrecarga, adoeça dentro da empresa e depois tenha de pagar uma mensalidade ainda maior para tratar esse adoecimento. A Caixa precisa assumir os custos das doenças relacionadas ao trabalho”, reforçou Luiza Hansen.

CEE já apresentou alternativas

A CEE ressaltou que não se limita a rejeitar a proposta do banco, mas apresentou na própria minuta de reivindicações diferentes alternativas para enfrentar o déficit sem inviabilizar o plano e sem impor todo o ônus aos usuários.

A representação também cobra contratações, inclusão dos empregados admitidos após setembro de 2018 no direito ao plano com participação da Caixa durante a aposentadoria, ampliação da rede credenciada, maior transparência e preservação do mutualismo, da solidariedade e do pacto intergeracional.

Nova proposta precisa valorizar o quadro

Ao final da reunião, a Caixa reconheceu que a proposta não havia sido aceita e informou que voltaria a avaliar o modelo. A CEE reiterou que espera uma nova formulação, com aumento da participação do banco e respeito à capacidade de pagamento dos beneficiários.

Outras cobranças

A CEE/Caixa também cobrou que o banco apresente suas devolutivas sobre as demais reivindicações apresentadas em mesa e presentes na minuta entregue ao banco.

Com informações: Feeb SP/MS

Fotos: Willy Roberto/Sindicato dos Bancários de SP

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Campanha Nacional: bancos se comprometem a apresentar proposta geral às reivindicações da categoria no dia 13

Expectativa de bancários e bancárias é por aumento real, valorização da PLR, aumento maior nos tickets refeição e alimentação e no piso da categoria

A sexta rodada de negociações da Campanha Nacional Unificada, realizada nesta terça-feira (4), foi marcada por críticas da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) ao conjunto das cláusulas econômicas, da minuta de reivindicações da categoria bancária.

A Fenaban também sugeriu que a PLR não deveria ser reajustada, uma vez que os bancos possuem programas próprios de remuneração variável, apontando que o lucro do setor bancário está sofrendo com a escalada de concorrência com outros atores no sistema financeiro nacional.

O Comando Nacional das Bancárias e dos Bancários rebateu, deixando claro que a PLR não se relaciona com os programas próprios e que não abre mão da valorização da PLR. “Os programas próprios não podem substituir a PLR. Cada banco define seu programa próprio, o que tem a ver, em alguns casos, com a venda de produtos. São importantes, mas são complementares, e nem podem substituir ou serem usados para reduzir o valor da PLR”, destacou a coordenadora do Comando, Juvandia Moreira.

O movimento sindica registrou que, ainda que Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) preveja a possibilidade de distribuir até 15% do lucro líquido, os grandes bancos privados distribuem, em média, um percentual bem menor: 5,9%.

Quanto às críticas da Fenaban ao conjunto das cláusulas econômicas, o Comando rebateu que a minuta reflete as reivindicações de diversos segmentos do setor bancário. “Inclusive, a minuta é uma defesa contra o movimento, iniciado em meados da década da 1990, por vários setores, de redução da remuneração fixa (direta ou indireta), que vem sendo substituída pela remuneração variável que, no geral, é baseado em metas e pressão”, completou Juvandia Moreira, que também é presidenta da Contraf-CUT.

Após um pedido de pausa para almoço, a Fenaban retornou dizendo que irá apresentar, na próxima rodada de negociações, dia 13 de agosto, uma proposta geral para todas as reivindicações, incluindo reajustes na remuneração, igualdade de oportunidades, saúde e condições de trabalho.

A massa salarial caiu, mas os lucros dos bancos aumentaram

Entre os principais pontos de reivindicação da categoria nas cláusulas econômicas estão o aumento real (reposição da inflação mais 5% de reajustes) nos salários e demais verbas; valorização da PLR; aumento maior para va/vr; adoção do salário mínimo necessário do Dieese (R$ 7.999,44) como piso da categoria; e criação de um piso para os profissionais da TI.

“A expectativa da categoria é grande por aumento real, valorização da PLR, aumento maior nos tickets refeição e alimentação e no piso da categoria. Os bancários também exigem o fim das demissões em massa e do fechamento de agências”
, observou Juvandia. “A categoria vem sofrendo uma contínua perda de massa salarial, agravada pela redução dos postos de trabalho. Desde 2014, a massa salarial real dos bancários acumula queda de 17%, sendo que, apenas no último ano, a retração foi de 2%, evidenciando o impacto das demissões e da redução do emprego sobre a renda dos trabalhadores”, reforçou a dirigente.

O movimento sindical destacou ainda que, em 2025, as receitas de tarifas dos cinco maiores bancos cobriram 123% das despesas com o pessoal, incluindo PLR. Ou seja, com o que cobraram dos clientes, os bancos pagaram no ano passado toda a despesa de pessoal, inclusive PLR, com sobra equivalente a 23%. Quando retirada a PLR da conta, essa cobertura sobe para 142%.

Dados sobre a realidade financeira dos bancos:

– Em 2025, juntos, os cinco maiores bancos lucraram R$ 124 bilhões.
– Considerando todo o setor, o lucro líquido registrado foi de R$ 171 bilhões.
– O patrimônio líquido do setor bancário atingiu, no ano passado, o montante de R$ 1,2 trilhão.

Rentabilidade dos bancos e seus concorrentes, em 2025:

– Quase 60% de todo o patrimônio de um grupo de 164 bancos analisados estavam concentrados em instituições, que obtiveram rentabilidade entre 10% e 30% ao ano – considerados resultados excepcionais para a conjuntura.
– Embora 17% dos bancos (cerca de 28 instituições) tenham registrado resultado negativo (prejuízo), eles representam apenas 1% do dinheiro total do setor.

Já, entre as 181 instituições de pagamentos (IPs), concorrentes dos bancos, o cenário foi bem diferente, em 2025:

– A maior parte (45%) apresentou até 10% de rentabilidade.
– 25% entregou rentabilidade acima de 30%.
– O Nubank, sozinho, representa 21% do patrimônio líquido desse grupo de 181 instituições.
– Ainda em 2025, 39% das instituições de pagamento (70 empresas) fecharam no vermelho, mostrando, portanto, que as IPs ainda não ameaçam os bancos, como a Fenaban aponta. 

Propostas para mulheres no setor

A reunião desta terça-feira (4) contou também com a participação de uma especialista convidada pela Fenaban. A consultora Carolina Cavenaghi, fundadora da Fin4She, iniciativa voltada à qualificação e ao fortalecimento da presença feminina no mercado financeiro, abordou propostas de desenvolvimento e recolocação profissional para mulheres no setor bancário.

Após a apresentação, o Comando Nacional reforçou que a participação das mulheres nos bancos está em queda e que elas seguem sub-representadas nos cargos de liderança.

“A proposta de um curso de formação, sobretudo quando acompanhada de construção e formação de uma rede de apoio entre as mulheres, é importante, mas isso não é o suficiente para mudanças estruturais. Nosso desejo é que a Fenaban, também, apresente um plano de ação que corresponda às nossas reivindicações por mais contratação, igualdade de oportunidade, ascensão na carreira e salários iguais entre homens e mulheres”, completou a também coordenadora do Comando Nacional, Neiva Ribeiro.

A seguir os principais dados de gênero nos bancos:

– Queda de participação: de 49,1% para menos de 47%, entre 2015 e 2025.
– Atualmente, em média, as mulheres bancárias ganham 18,4% a menos do que os homens.
– Se nada for feito e considerando o ritmo histórico e recente (entre 2016 e 2025) de evolução, levará 40 anos para as mulheres e homens ganharem igual o setor bancário.
– Em 2025, as mulheres ocupavam 47,7% dos cargos de liderança.
– Entretanto, a remuneração delas nesses postos de liderança é 26% inferior à dos homens em funções similares.
– Considerando o recorte racial, as pessoas negras (homens e mulheres) ocupavam 25,2% dos cargos de liderança, em 2025.
– As mulheres negras (pretas e pardas) ocupavam 9,7% dos cargos de liderança.

Fonte: Contraf Cut

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Espaços Itaú de Negócios terão vigilantes em todas as unidades até outubro

Medida atende reivindicação histórica do movimento sindical e reforça a segurança de trabalhadores e clientes; Feeb SP/MS acompanha o tema por meio da COE do Itaú

O Itaú informou que, até o mês de outubro, todos os Espaços Itaú de Negócios passarão a contar com vigilantes. A medida atende a uma reivindicação histórica do movimento sindical, construída ao longo dos últimos anos por meio de mobilizações, negociações e cobranças permanentes da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú.

A Feeb SP/MS acompanha o tema por meio de sua representante na COE, Daniele Miyachiro, que participou das discussões sobre a necessidade de reforçar a segurança nas unidades e garantir melhores condições de trabalho aos empregados.

Desde o início da transformação das agências em Espaços Itaú de Negócios, entidades sindicais de todo o país alertaram para os riscos provocados pela ausência de vigilantes. Nesse período, foram realizadas paralisações, manifestações, reuniões com autoridades, audiências públicas e denúncias aos órgãos competentes para cobrar uma solução definitiva.

A preocupação também foi motivada por ocorrências registradas em diferentes regiões do país, como assaltos, golpes em caixas eletrônicos, atos de vandalismo e episódios de violência envolvendo clientes e trabalhadores nas unidades sem vigilância.

A reivindicação integrou, ainda, a pauta específica entregue ao banco pela COE do Itaú no dia 1º de julho, durante a Campanha Nacional dos Bancários 2026, reforçando a necessidade de garantir ambientes mais seguros para empregados e usuários dos serviços bancários.

De acordo com o banco, todas as unidades dos Espaços Itaú de Negócios contarão com vigilantes até outubro, ampliando a proteção de trabalhadores e clientes.

Para a representante da Feeb SP/MS na COE do Itaú, Daniele Miyachiro, a decisão demonstra a importância da atuação coletiva do movimento sindical. “A segurança sempre foi uma das prioridades da representação dos trabalhadores. A confirmação de que todas as unidades passarão a contar com vigilantes representa um avanço importante para garantir melhores condições de trabalho aos bancários e mais tranquilidade aos clientes. Continuaremos acompanhando a implementação dessa medida para que ela seja efetivamente cumprida pelo banco”, afirmou.

Fonte: Feeb SP/MS